15 Aug 2010

Zero

Author: transamazonica40anos | Filed under: Cabedelo

CHEGAMOS

Nenhuma outra palavra pode expressar a ideia desse “post” que não seja essa. CHEGAMOS!!! Depois de 27 dias chegamos a Cabedelo, município da região metropolitana de João Pessoa onde está a placa mais esperada de toda essa jornada.

Chegamos a Cabedelo por volta das 9h de hoje. A chegada foi carregada de ansiedade. A tal placa do km 0 tardava em chegar. A cada esboço de placa que surgia no nosso caminho, perguntávamos se era ali. Mas ainda não era. Seguimos a pé depois de saltar em uma praça bem no centro do pequeno município de Cabedelo. A cidade vive, primordialmente, da arrecadação de seu porto.

O sol estava a pino e nada da placa aparecer, até que sob a sombra de uma pequena arvora ,ela apareceu. “RODOVIA BR 230. AQUI COMEÇA A TRANSAMAZÔNICA. CABEDELO PB”. Em uma placa menor, o número que queríamos: “KM O”. Depois de mais de 4.067 (números revisados by Google Maps), cruzar a floresta Amazônica, o sertão e o agreste nordestino e encarar o mar, foi preciso tocar na placa. Como se fosse para se certificar de que ela existia de fato e de que não era mais um sonho tido em alguma cama desconfortável dos hoteis que encontramos pela estrada.

Placa que marca o início da Rodovia Transamazônica. Para nós, é o fim da jornada / Euzivaldo Queiroz

A placa virou um ponto turístico. E em 2006, a prefeitura de Cabedelo instalou um imenso mural feito em mosaico de azulejos contendo um mapa da Transamazônica. Algumas cidades ao longo da BR 230 foram representadas no mural de forma estilizada. Momento de reflexão ao rever, ainda que de forma iconográfica, lugares por onde passamos.

Bom, pessoal, é isso. Pelo menos por enquanto. Em breve o jornal A CRÍTICA vai publicar um caderno especial sobre essa jornada. Espero que vocês tenham curtido acompanhar a nossa viagem pelo blog e que por meio dele vocês tenham conhecido um pouco de um Brasil que poucas pessoas têm oportunidade de conhecer. Nós tivemos. E valeu a pena.

14 Aug 2010

Chegada

Author: transamazonica40anos | Filed under: João Pessoa

Olá, pessoal. Tudo bem?

Acabamos de chegar a João Pessoa, capital da Paraíba. Mas não, ainda não finalizamos a nossa jornada. E o pior, ainda nem pudemos ver a cor do mar verde. Chegamos à noite e só tivemos tempo de procurar um hotel. De onde estamos, é possível sentir o vento que vem do mar.
Mas não se preocupem. Amanhã, bem cedinho, estaremos em Cabedelo, para selar o fim dessa jornada que começou em Lábrea, no Sul do Amazonas. Ainda não tivemos tempo de sentir a cidade, apenas seu vento. Mas amanhã você vai nos acompanhar até o final dessa empreitada. Com fotos e tudo a que vocês têm direito.

Abraços!!!

13 Aug 2010

Campina Grande sem forró

Author: transamazonica40anos | Filed under: Campina Grande

Olá, pessoal…tudo bem?

Não tivemos como postar nada mais cedo porque estávamos em trânsito. Nossa última parada foi em Assaré, mas já deixamos a cidade cearense e agora estamos em Campina Grande, na Paraíba. Falta pouco para a nossa chegada a Cabedelo, cidade localizada na região metropolitana de João Pessoa que vai marcar o fim dessa nossa trajetória.
Antes de chegarmos a Campina Grande, dormimos em Juazeiro do Norte, cidade famosa pela romaria à estátua gigante do Padre Cícero. Mas foi apenas uma dormida e nem tivemos tempo de explorar a cidade, já que ela não fica na BR 230, a Transamazônica. Ainda pela tarde, passamos em Sousa, cidade do sertão paraibano famosa pelo Vale dos Dinossauros, um imenso complexo de sítios arqueológicos que guarda pegadas de seres pré-históricos. Vamos publicar uma matéria sobre nossa visita ao vale em breve.
De Sousa, seguimos viagem pelo sertão até chegamos a Campina Grande. A cidade é conhecida por ter o “maior forró do mundo”, realizado entre os meses de junho e julho. O título também é reivindicado pela pernambucana Caruaru. Mas pasmem, não encontramos nenhum “forró″ aberto na noite desta quinta-feira pra saber se o forró de Campina Grande é bom ou não. E olha que eu nem sou muito exigente. Não sendo entoado por aqueles loucos de cabelo comprido que gritam em vez de cantar, qualquer forró me divertiria. Os taxistas com quem conversamos (eles sempre sabem de tudo) nos disseram que o movimento boêmio na cidade começa apenas na sexta-feira. Tarde demais para nós. Enfim…fica para João Pessoa.
Uma coisa que nos chamou atenção em Campina Grande foi o clima. Faz um friozinho relativamente agradável por aqui. A explicação é a de que a cidade fica localizada na Chapada da Borborema. É justamente essa formação rochosa que, dizem alguns geólogos, impede que a umidade vinda do Oceano Atlântico chegue até boa parte do sertão.
Devemos chegar a João Pessoa e Cabedelo nas próximas horas. Estamos ansiosos, afinal, já são 28 dias de viagem e quase 4 mil quilômetros de estrada.
É isso, pessoal. Até mais!!!
12 Aug 2010

Cidade transpira poesia

Author: transamazonica40anos | Filed under: Assaré

Olá, pessoal.

Espero que tenham gostado de conhecer a Dona Bebel, ainda que pela net. Mas vamos à viagem. Chegamos ontem (11) a Assaré, municípío em que nasceu o maior poeta popular brasileiro, Patativa do Assaré. De lá seguimos para o Crato, pois a BR-230 simplesmente acaba em Assaré para recomeçar em Farias Brito, município próximo. O problema é que não há condução possível de Assaré direto para Farias Brito sem ser por Crato ou Juazeiro do Norte. Fizemos um pequeno desvio (não deu nem 60 km) de nossa rota original. Em viagens como essa, o improviso é quase um método. Hoje já estamos em território paraibano, mas essa história conto em outro post. Agora, só faltam 650 quilômetros (segundo o Google Maps) para terminarmos nossa jornada. Ufa!!!

Feita essa explicação técnica, falemos de Assaré. Ela foi uma das poucas cidades brasileiras que tiveram a decência de homenagear sua estrela maior enquanto ela estava viva. Em 1999, foi inaugurado o Memorial Patativa do Assaré, uma espécie de museu com objetos pessoais, livros, discos, cordéis e reportagens sobre o poeta. Patativa ainda teve tempo de dar palpites na organização do acervo antes de morrer, em 2002.

A obra de Patativa, que nasceu Antônio Gonçalves da Silva, é uma das mais ricas em matéria de literatura popular brasileira. Ficou conhecido como Patativa depois de uma passagem pelo Pará, quando tinha 20 anos de idade. Lá, seu canto foi comparado ao pássaro de nome patativa. A história dele é muito curiosa. Sua primeira viola, com a qual tirava repentes durante suas viagens, ele conseguiu trocando uma cabra por ela.

Teve livros publicados em diversos idiomas e seus textos estudados por universidades renomadas como a francesa Sorbonne. Virou herói do sertão por cantar a dor e o sofrimento do homem sertanejo. Seus poemas tinham um forte tom de crítica social.

Em Assaré, conversamos com um de seus parceiros, Geraldo Gonçalves, a quem Patativa chamava de sobrinho. Na realidade, eram primos de segundo-grau. Geraldo era um dos preferidos do poeta para conversar e fazer poesia.

- Ele era viciado em poesia. Se você o chamava para conversar qualquer coisa, ele ficava chateado e logo não lhe dava atenção. Mas se fosse para fazer poesia, ele ficava alegre e ficava horas conversando e versando – diz Geraldo.

Geraldo diz que a velocidade com quem Patativa criava versos o assustava, ainda mais pelo fato de ele o fazer apenas

em sua mente.

- Ele gostava de desafio. Então a gente dava um mote e eu pegava papel e caneta. Quando eu terminava, eu dizia: Patativa, acabei. E ele respondia que já tinha acabado também. Daí ele dizia o verso. Quando eu pedia para ele repetir para eu anotar, ele repetia igualzinho da primeira vez. Sem nenhuma palavra trocada – lembra o poeta.

Patativa morreu em 2002, aos 93 anos. Não enriqueceu com sua fama. Mesmo depois de reconhecido internacionalmente, seguiu sua vida de agricultor. Sua família recebe, hoje em dia, algum dinheiro dos direitos autorais, mas muitos de seus filhos ainda vivem na mesma roça onde o pai nasceu. Mesmo morto, Patativa segue vivo em Assaré. Um exemplo são as placas que indicam as ruas da cidade. Junto dos nomes das vias, elas trazem trechos de poemas conhecidos do poeta.

Há alguns anos, a casa onde Patativa nasceu e viveu foi restaurada. O Governo do Ceará pretende construir um Museu do Agricultor no local. Nada mais justo em se tratando da morada de um dos maiores defensores do agricultor brasileiro e, especialmente, nordestino. Infelizmente, é uma pena notar, como fizemos ao longo dessa viagem, que algumas das mazelas cantadas pelo poeta do sertão continuam afligindo os nordestinos.

Geraldo Gonçalves com um de seus livros posando em frente à Universidade Patativa do Assaré (UPA), centro de difusão de sua obra e venda de livros e artesanato / Euzivaldo Queiroz

Sala do Memorial Patativa do Assaré. O prédio recebe 11 mil visitantes por ano / Euzivaldo Queiroz

Sertanejo tange o jumento carregado com água na comunidade de Carmelópolis / Euzivaldo Queiroz

11 Aug 2010

Colecionadora de amigos

Author: transamazonica40anos | Filed under: Campos Sales

Maria Barreto de Lima não quis fazer família. Preferiu fazer amigos. E vem fazendo isso, quase compulsivamente, há 18 anos. Aos 81, ela é hoje uma das pessoas mais conhecidas da pequena cidade cearense de Campos Sales, encravada no Vale do Cariri. Quase uma celebridade do sertão, simplesmente Dona Bebel.

A mania de fazer amigos de Dona Bebel começou em 1992, quando ela se mudou de Araripe para Campos Sales. De tanto conversar com as pessoas da nova cidade, resolveu pedir que cada novo “amigo” lhe deixasse algum registro em uma agenda que ela carrega consigo para onde quer que vá. Em 18 anos, 72 agendas já foram preenchidas. Nelas, existem assinaturas de gente famosa como o cantor sertanejo Leonardo.

Mas como saber se Bebel é uma “fazedora de amigos” ou apenas uma aposentada de plantão sem mais o que fazer? Para quem a conhece, a resposta é óbvia. Bebel tem a pele severamente enrugada. Parece feita de borracha flácida riscada por uns vasos vermelhos que ficam evidentes sob a pele clara. Os olhos azuis embraquecidos pela catarata também revelam muito de sua vida. O olho direito é levemente caído. O corpo é franzino…frágil. Parece que vai quebrar a cada passo. Mas não é nos braços ou nas pernas que Bebel guarda sua força, mas na mente.

Ela fala com dificuldade, e com dificuldade conta um pouco de sua vida. Nunca se casou. Vive com seus sobrinhos. Tantos que Bebel nem sequer se lembra quantos são.

- Já passei da fase de cuidar deles. Eles é quem cuidam de mim.

Sua busca por amizades é vista com um quê de excentricidade pelos moradores de Campos Sales. À primeira vista, como não suspeitar de alguém que distribui sorrisos e palavras doces a desconhecidos? Mas é justamente essa “estranheza” que faz de Bebel tão especial. Afinal, não seria exatamente disso que o mundo tanto precisa? Num mundo onde as pessoas são cada vez mais ensimesmadas, Bebel faz questão de romper a solidão da velhice e fazer amigos. Diz já ter mais de 400.

- Eu quero uma forma de ficar ligada nas pessoas. Pra quê ficar sozinha? Tem coisa melhor do que bater um papo gostoso? Por que eu vou deixar de fazer isso?

E nesse mundo estranho, não é todo mundo que entende Bebel. Com a memória dos rejeitados, ela lembra das duas ocasiões em que seu desejo de fazer amigos não foi atendido.

- A primeira pessoa que não quis assinar a minha agenda foi um cara lá da Bahia. Cabra estranho. Não entendi porque ele não quis assinar. Ohhhh menino antipático!

A segunda vez foi quando o grupo Raça Negra tocou em Campos Sales e cometeu a desfeita de não receber a principal embaixadora da cidade.

- Eles se entocaram no hotel e não me receberam.

E querem saber como descobrir se ela é uma verdadeira fazedora de amigos ou uma aposentada de plantão sem mais o que fazer? É fácil. Basta conhecê-la.

- Quem tem amigo tem tudo na vida, meu filho!

Bebel mostra uma de suas 72 agendas: equipe de A Crítica assinou essa

10 Aug 2010

Umidade cearense

Author: transamazonica40anos | Filed under: Campos Sales

Olá, pessoal!!!

Chegamos ao Ceará. Advinhem onde estamos? No Vale do Cariri, mais precisamente no município de Campos Sales. Esta é uma das regiões menos afetadas pela seca deste ano justamente por se encontrar em uma região mais úmida. Mas vamos deixar o Cariri em breve em direção à Paraíba, onde encontraremos mais seca como vimos no Piauí, em Oeiras.

Campos Sales é uma cidade pacata, com pouco mais de 26 mil habitantes. À primeira vista, o que tem nos chamado atenção nessas cidades menores do interior do Nordeste é a quantidade de idosos freqüentando o comércio. Já sabíamos que o impacto dos recursos de aposentadorias pagos pela Previdência Social era grande, mas não tínhamos ideia do quanto esse dinheiro é importante para o povo daqui.

Em Campos Sales, por exemplo, são injetados mais de R$ 2,7 milhões por mês em benefícios. É quatro vezes mais do que o Governo Federal repassa por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Bom, pessoal… essa e outras histórias sobre o Nordeste você vai encontrar no caderno especial que o jornal A CRÍTICA (www.acritica.com) vai publicar assim que esta viagem terminar.

Hoje, vamos seguir para a cidade de Assaré, terra natal do poeta Patativa do Assaré.

Até lá!!!

Abraços!!!

10 Aug 2010

Meio século de rapadura

Author: transamazonica40anos | Filed under: Oeiras

José e Apolinário vendem o néctar do sertão há quase 50 anos/Euzivaldo Queiroz

Quem chega no Nordeste não consegue passar incólume: tem que experimentar um pedacinho de rapadura. E, no mercado central de Oeiras, encontramos dois feirantes especialistas em rapadura. Juntos, os dois têm quase meio século vendendo o néctar do sertão. Que é o doce preferido do Nordeste, isso a gente já sabia, o que nós desconhecíamos é que, segundo nossos experts, a rapadura tem aplicações terapêuticas.

Seu José Lopes, 68 anos de idade e 40 de feira, diz que rapadura não é boa apenas para adoçar a vida. Ele jura que o doce feito à base de cana-de-açúcar é infalível para anemia.

- Minino com ‘enemia’ pode comer rapadura que fica bom. O sangue fica curado rapidinho! – garante.

José Lopes vai mais longe. Ele diz que a rapadura pode ajudar mulheres em fase de amamentação.

- As muié que são ruim de leite, pode comer rapadura que o leite fica bom.

Apolinário de Moura Santos, 58, que tem 22 anos de feira, diz que a rapadura também é boa para ser utilizada como ração.

- Pode misturar a rapadura com a ração do gado que ele ‘alevanta’. Se o bicho estiver caidinho, não tem essa, não. Ele ‘alevanta’ mesmo.

A nossa aula foi além. José Lopes disse que a melhor rapadura do Piauí é feita nos engenhos de Ipiranga do Piauí e Inhuma, municípios a cerca de 60 km de Oeiras.

Apolinário deu uma dica valiosa. Disse que a preferida da freguesia é a rapadura mais escura, a “pretinha”. Diz que é melhor para fazer doces.

Mas José Lopes e Apolinário sabem que a predileção pela rapadura está acabando no Nordeste. O maior acesso a doces “modernos” como os chocolates, drops e chicletes está mudando o gosto do nordestino.

- Antes o povo comia muito mais rapadura. Eu comprava muito para poder vender, mas agora, tá difícil. O povo parece que não gosta mais dela. Até para fazer doce, estão preferindo comprar o açúcar do que fazer com rapadura.

Paisagem bem diferente da Transamazônica "florestal": agora estamos na Caatinga/Euzivaldo Queiroz

Praça da Vitória, em Oeiras: cidade do Piauí é xará de município lusitano//Euzivaldo Queiroz

Oeiras é conhecida como a "capital da fé"/Euzivaldo Queiroz

9 Aug 2010

Descobrindo o Piauí

Author: transamazonica40anos | Filed under: Oeiras

Olá, pessoal.

Chegamos ontem ao Piauí por volta das 23h. Estamos em Oeiras, primeira capital do Estado antes de ela ter sido mudada para Teresina. A nossa primeira impressão sobre a cidade foi um tanto curiosa. Uma enorme placa em forma de portal nos recepciona: “Bem-vindo a Oeiras. A capital da fé”. O engraçado é que 10 metros a frente, a primeira construção da “capital” da fé é um vistoso motel.

Oeiras também é o nome de uma cidade portuguesa e parece que a Oeiras piauiense copiou da cidade lusitana a arquitetura de seu Centro Histórico. Parte dela é toda calçada em paralelepípedos e tem alguns casarões que lembram um pouco as cidades históricas de Ouro Preto e Diamantina. Estamos indo para a rua para descobrir o que mais Oeiras guarda para os viajantes, ok?

Até mais!!!!

8 Aug 2010

Nas curvas de Carolina

Author: transamazonica40anos | Filed under: Carolina

Pedra do Portal, na Chapada das Mesas: paisagem incrível/Euzivaldo Queiroz

Carolina maranhense tem curvas e brilho inigualáveis e um jeito faceiro que encanta qualquer um que a conhece. Mas calma, Carolina não é uma mulher. Carolina é uma cidade pitoresca na divisa do Maranhão com o Tocantins. Localizada em pleno cerrado, vem se tornando um destino turístico cada vez mais procurado por gente do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Gente que procura a beleza de suas mais de 27 cachoeiras e das montanhas da Chapada das Mesas.

Carolina tem 141 anos de emancipação. Antes de pertencer ao Maranhão, era de Goiás, de quem herdou a tradição dos antigos casarões que você pode conhecer no Centro da cidade. A cidade é pequena. Tem pouco mais de 22 mil habitantes, mas é no interior do município que seus principais tesouros estão guardados.

O principal “cartão de visitas” de Carolina é a Pedra Caída. É uma espécie de cânion localizado na Chapada das Mesas, uma formação rochosa antiga que se sobressai em meio à vegetação rala do cerrado maranhense. O cânion fica a pouco mais de 40 km do centro de Carolina, e se chega lá pela BR 010, sentido Imperatriz.

A Serra da Pedra Caída é impressionante. Pela trilha que se toma para chegar lá, é impossível imaginar que ela sequer existe. Um densa vegetação composta de matas de galeria e ciliares impede que o turista consiga avistá-la. Basta descer um pouco pelos barrancos (travessia segura), para se chegar aos paredões de granito. Em alguns trechos, a distância entre uma parede e outra pode chegar a pouco mais de um metro e meio.

A caminhada pelo cânion guarda algumas surpresas. Uma delas são as cachoeiras de diferentes temperaturas que caem pelos paredões. A explicação para o fenômeno ainda é um mistério.

Mas o passeio ainda reserva uma outra surpresa. Ao final do cânion, uma imensa queda d`água, a Cachoeira da Pedra Caída, é um espetáculo para os olhos e para a mente.

Segundo os índios timbiras, que habitavam a região antes da chegada dos bandeirantes, o cânion e a cachoeira eram considerados lugares sagrados. Eles acreditavam que a fenda na Chapada das Mesas havia sido aberta por uma pedra caída do céu, por isso o nome do lugar.

Deixando os encantos molhados de lado, partimos para a aridez do cerrado. A pouco mais de 20 km de Carolina, chegamos à Pedra do Portal, uma formação rochosa a pouco mais de 200 metros de altura com um imenso “buraco” em forma de portal. De lá, é possível avistar a beleza da Chapada das Mesas e pontos turísticos com o Morro do Chapéu, um imenso platô a pouco mais de 300 metros de altura parecido (guardadas as devidas proporções) com o Monte Roraima.

A região de Carolina ainda guarda outros paraísos, mas aí não tivemos como conhecer, apenas indicar. Em Riachão, a aproximadamente  100 km de Carolina, você vai encontrar o Poço Azul e o Encanto Azul, lagoas de água azulada e cristalina onde é possível mergulhar.

Bom, pessoal. Espero que tenham gostado da dica. Vamos tocar o “barco”.

Carolina

  • Localizada no cruzamento da BR 230 com a BR 010, a 890 km de São Luiz.
  • Para chegar, pode-se pegar um vôo até São Luiz, Imperatriz ou Marabá e seguir de ônibus ou carro.
  • A rede hoteleira é limitada, mas existem algumas pousadas com diárias entre R$ 100 e R$ 200.
  • Na internet, você pode encontrar várias agências de turismo que realizam passeios pelas cachoeiras da região. Indico a Cia do Cerrado (pessoal amigável e prestativo) e a JC ecoturismo.
  • A alta estação é entre os meses de dezembro e março, e julho e agosto. Os preços costumam variar de acordo com a época e o número de integrantes do grupo.

    Cachoeira da Pedra Caída: presente surpresa no fim da trilha/Euzivaldo Queiroz

Cachoeira da Pedra Caída//Euzivaldo Queiroz

6 Aug 2010

Cenas da divisa

Author: transamazonica40anos | Filed under: Carolina

Olá, pessoal!

Neste momento estamos em Carolina, município a 98 km de Estreito, onde dormimos na noite passada. O dia foi movimentado. Conversamos com alguns pescadores que estão preocupados com o futuro da sua atividade após a conclusão da hidrelétrica de Estreito, um investimento de R$ 3,6 bilhões de dólares praticamente privados. Investigamos o caso e, realmente, a situação é preocupante. Mais detalhes sobre o assunto você verá no caderno especial que o jornal A Crítica vai publicar no final da viagem.

Carolina é uma cidade com vocação marcadamente turística. A cidade tem mais de 100 anos (amanhã vou saber melhor). Paramos aqui para mostrar alguns pontos turísticos do Maranhão, afinal, essa viagem não é apenas para mostrar o “mundo cão” do Brasil, não é mesmo? Aliás, ele bate à nossa porta o tempo todo por aqui.

Temos que dormir cedo, mas vamos deixar vocês com algumas cenas capturadas pelo Euzivaldo Queiroz nos últimos dois dias, ok? São cenas curiosas de um Brasil que a gente está descobrindo junto com vocês.

Abração!

Família regressa de mais um dia de pescaria no rio Araguaia / Euzivaldo Queiroz

Mulher dá uma pausa na pescaria para almoçar. Ao fundo, a barragem da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, no rio Tocantins / Euzivaldo Queiroz

Difícil saber se é história de pescador ou não, mas o menino disse que pegou os peixes com uma rede daquelas usadas para embalar laranja. Verdade ou mentira? / Euzivaldo Queiroz

Em Araguatins, município do Tocantins, a zuada dos sons automotivos é proibida em certos lugares. Pelo visto, até as charretes estão sujeitas à proibição / Euzivaldo Queiroz

Em Estreito, a pescaria não é passada apenas de pai para filho, mas de mãe para filha / Euzivaldo Queiroz